Sua majestade: O Caixa !!!

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Sua majestade: O Caixa !!!

Já ouvi bons profissionais e até um professor de um conceituado MBA dizerem que o Ebitda (Earnings Before Income, Taxes, Depreciation and Amortization) ou LAJIDA (Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) exprime o caixa gerado em um período. Isto porque em seu cálculo não considera os impostos diretos que em tese serão pagos no ano subsequente e tampouco a depreciação ou amortização (itens que não impactam caixa).

O EBITDA não tem nenhuma relação com o caixa e como qualquer outro índice também está sujeito à distorções e limitações, mesmo sendo o queridinho dos profissionais de M&A.

Há diversos fatos contábeis que podem impactar e gerar um Ebitda musculoso e por outro lado um lucro operacional líquido ou caixa diminutos, um exemplo pode ser o alto nível de investimento em imobilizações que refletirá um lucro operacional líquido muito inferior ao Ebitda ou quiçá não raro, um prejuízo. A liquidez pode estar seriamente comprometida, mesmo com um musculoso Ebitda uma vez que ciclos de contas a pagar (DPO) contraídos ou ciclos de recebimento (DSO) dilatados impactarão severamente a disponibilidade de caixa que tampouco será detectada tomando como base somente a demonstração do resultado.

O fluxo de caixa operacional pode ser um indicador bem mais interessante para evidenciar a capacidade de geração de fluxos futuros e consequentemente o risco do negócio à médio e longo prazo.

Uma empresa que adquire sua matéria prima e insumos (entradas) oriundos de regiões com uma alíquota de impostos compensáveis em sua operação superior à sua alíquota de saída ou, que goze de algum incentivo fiscal, poderá apresentar uma razoável margem bruta todavia incorrer no entesouramento de recursos, pois não conseguirá utilizar a seu favor (dar saída de caixa) na totalidade do saldo credor resultante da apuração destes impostos o que deixará seu ativo circulante inflado, (mostrando boa liquidez) e também um um Ebitda que jamais estará refletido em seu ciclo de caixa. A empresa precisará atuar em outra atividade com alta tributação em sua saída para utilizar-se deste crédito, um exemplo clássico são os postos de gasolina com bandeiras de hipermercados ou ainda, operações de aquisições com prazo de retorno ao sócio original e utilização da “casca” o balanço mediante uma remuneração deste saldo.

Um índice mais completo e conservador que o Ebitda seria o EVA (Economic Value Added) Valor Econômico Adicionado, que se traduz no NOPAT (Lucro Operacional Líquido após Impostos) deduzido do valor resultante da aplicação da TJLP sobre o Capital Investido, poiso EVA considera o custo do capital investido para deduzir o custo de oportunidade (caso o sócio optasse por deixar todo seu capital investido em uma poupança por exemplo) dessa forma o NOTPAD deduzido deste custo resultaria no valor adicionado.

Uma análise econômico-financeira completa deve considerar em seu escopo, índices, coeficientes, comparações horizontais e verticais das demonstrações de resultado e balanços patrimoniais, Ebitda, EVA, margem operacional líquida, DFC, DVA entre outras ferramentas e sobretudo considerar a limitação e distorções de cada uma delas.

Decidir com base apenas no Ebitda seria como assegurar que seu colesterol, glicose e demais indicadores de saúde estão em perfeito estado realizando apenas a aferição da pressão arterial.